O remédio para parar de usar drogas - IBOGAÍNA

A ibogaína é um remédio para parar de usar drogas derivado do caule da raiz de uma planta originária da África, a Tabernanthe iboga. O derivado é um alcaloide indólico psicoativo, usado há milhares de anos pelos nativos, sendo a planta conhecida como iboga ou eboka.
A planta, de forma natural, apresenta pelo menos 12 alcaloides diferentes, havendo ainda a tabernatina ou a ibogamina, que também mostraram ser psicoativos, ou seja, que atuam diretamente no cérebro.
A ibogaina é um remédio para parar de usar drogas que vem sendo usado há algumas décadas, oferecendo meios para o tratamento da dependência de drogas e de bebidas alcoólicas de forma definitiva para alguns pacientes.
A substância vem sendo analisada e estudada por pesquisadores e os estudos e relatórios constataram que uma única administração da ibogaína consegue eliminar todos os sintomas de abstinência de drogas e álcool, reduzindo no paciente a vontade de fazer uso dessas substâncias por muito tempo depois do tratamento.
A diferença entre esse remédio para parar de usar drogas e outros é que suas propriedades psicoativas ajudam o dependente a entender e reverter o seu próprio comportamento com relação às drogas e ao álcool, através da indução de um estado de sonho que tem a duração de algumas horas.
A história do remédio para parar de usar drogas
A ibogaína, quando usada através do caule da raiz da planta iboga, é apenas um alcaloide ligeiramente psicoativo, que vem sendo usado pelos nativos africanos há milênios.
Um grupo religioso da África Central, conhecido como Bwiti, em utilizando o caule da raiz da iboga para uma série de propósitos religiosos e sociais, principalmente com relação aos rituais de iniciação. A cerimônia de iniciação é composta por um grande número de rituais que chegam a durar três dias.
Para uma criança ou um adolescente considerar-se membro da tribo, é necessário que participe dessa cerimônia, que pode ser feita dos oito aos dezoito anos, independentemente do sexo.
Como remédio para parar de usar drogas, no entanto, a ibogaína foi descoberta apenas na década de 1960. A primeira pessoa a usar a ibogaína foi Howard L. Lotsof, em 1962.
Lotsoft era um ex-dependente de drogas, que vivia em Nova York (faleceu em 2010). Sua primeira experiência com ibogaína foi em busca de uma nova droga recreativa, uma alternativa à heroína, da qual ele era dependente na época.
Depois de ingerir a planta, passar por todos os sonhos e lembranças que ela oferecia, efeitos que duraram 30 horas, percebeu que não mais sentia falta de heroína e que não tinha vontade de procurar a substância.
Esse experimento, que pode ser considerado casual, também se revelou comum para outras pessoas, para as quais ele ofereceu a ibogaína.
Como funciona a ibogaína
Entre os 12 alcaloides indólicos complexos encontrados na ibogaína, derivados da tripamina, que foram estudados ao longo do tempo, certamente a ibogaína é o mais importante, por seus efeitos alucinógenos.
Além disso, a ibogaína é o principal composto psicodélico proveniente da África, sendo também o mais importante, principalmente como remédio para parar de usar drogas.
Ao se extrair os alcaloides do caule da raiz da iboga, obtém-se o puro hidrocloreto de ibogaína. Na ciência, a substância recebeu a denominação química de 12-metoxibogamina, classificada como inibidor da colinaesterase, uma enzima estimulante que age sobre o sistema nervoso central.
A ibogaína apresenta uma estrutura nuclear composta de dois anéis indólicos, uma estrutura bastante comum na maior parte das substâncias alucinógenas.
Quando usada em pequenas doses, da mesma forma que os nativos da Cordilheira dos Andes utiliza as folhas da coca, de onde se extrai a cocaína, a iboga simplesmente mantem as pessoas acordadas e em estado de alerta.
Dessa forma, os nativos africanos a utilizavam para fazer viagens mais longas de canoa, ou caçadas, que podiam durar diversos dias.
Os nativos também acreditam que a raiz da iboga possui propriedades afrodisíacas, usando seus frutos, de cor laranja-amarelados, do tamanho de azeitonas, para tratar problemas de esterilidade nas mulheres e de impotência sexual nos homens.
Contudo, em maiores quantidades, da mesma forma que a coca quando transformada em cocaína, a ibogaína apresenta efeitos alucinógenos, embora diferentes da droga ilícita que invadiu a sociedade nos últimos anos.
A ibogaína, usada como remédio para parar de usar drogas, provoca náuseas e vômitos, agindo como o peiote ou o chá do santo daime.
A pessoa que usa ibogaína entra num estado de transe profundo, de forma intensa, não conseguindo fazer qualquer movimento físico, passando por um transe totalmente visual, que se manifesta como se fosse uma longa viagem.
De forma geral, de acordo com relatos de pacientes tratados com esse remédio para parar de usar drogas, a ação da ibogaína pode ser dividida em três partes.
Na primeira delas, o paciente passa por um período que pode variar entre quatro a seis horas, vivendo uma situação semelhante a sonhos, tempo em que experimentam apresentações visuais, além de pensamentos relacionados com sua vida passada.
A segunda parte é um período que os pesquisadores consideram como cognitivo ou intelectual, quando todas as experiências da fase anterior são avaliadas, levando o paciente a tomar consciência das consequências do uso de drogas.
Finalmente, na terceira fase, o paciente passa por um período de estímulo residual, que, na maior parte dos casos, termina em sono profundo.
Quando o paciente acorda, nota que não sente mais o desejo de usar ou de procurar a droga ou as drogas de que estava dependente. Essa situação, no entanto, não é comum a todos os que usaram o remédio para parar de usar drogas, havendo respostas diferentes, segundo as características de cada paciente tratado. No entanto, pelo menos 70% deles não apresentou qualquer vontade de usar drogas novamente.
Os pacientes relatam que as visões provocadas pela ibogaína apresentam muitos detalhes pessoais, com emoções pelas quais eles passaram e que retornam vividamente. Ao que parece, o artifício simbólico, analisado pelos psicólogos, é a dissimulação de problemas pessoais que se tornam coletivos, geralmente envolvendo enredos políticos ou ecológicos, fazendo com que o paciente imagine que, usando drogas, pode estar ameaçando o planeta, e não sua própria vida, como na realidade acontece.
O uso medicinal da ibogaína, o remédio para parar de usar drogas
O que se observou nos estudos realizados com a ibogaína, é que a substância apresenta um considerável potencial para o tratamento de dependentes de diversos tipos de droga, como heroína, crack, cocaína, metadona e álcool.
Os estudos também constataram que existe a indicação de que a ibogaína pode ajudar no tratamento da dependência de nicotina, tendo sido ainda sugerido que é uma substância que pode apresentar bons resultados no campo da psicoterapia, principalmente para o tratamento de pacientes que passaram por traumas emocionais ou por condicionamento.
Através das pesquisas observou-se que uma única administração de ibogaína apresenta três efeitos, que são extremamente úteis no uso da substância como remédio para parar de usar drogas:
Em primeiro lugar, a ibogaína provoca uma grande redução nos sintomas da síndrome de abstinência, oferecendo condições para que a desintoxicação possa ocorrer sem maior gravidade e sem dores;
Em segundo lugar, a vontade de usar drogas novamente decresce de forma natural durante um certo tempo depois do tratamento com ibogaína, podendo durar de uma semana a vários meses. Essa situação foi confirmada nas pesquisas e estudos científicos;
Por fim, os efeitos psicoativos da ibogaína fazem com que o dependente entenda melhor sua própria condição física e mental, ajudando-o a reverter todos os problemas que provocaram a dependência.
A ibogaína, quando considerada como remédio para parar de usar drogas, pode ser aplicada em forma de cápsula, não causando qualquer dependência.
Normalmente, o tratamento é feito com a quantidade de 5 a 8 microgramas por cada quilo de peso corporal do dependente tratado, sendo aplicada num único tratamento, que deve ser feito em ambiente clínico adequado, tendo a monitoração médica constante, oferecendo toda segurança ao paciente.
Necessário, no entanto, é considerar que, enquanto alguns dependentes tratados com ibogaína param de usar drogas de forma permanente após uma única dose do remédio para parar de usar drogas, para outros, o tratamento é apenas um estágio inicial em um programa mais completo de reabilitação.
A ibogaína foi aprovada para ser usada em pessoas para tratamento de dependência química nos Estados Unidos no começo da década de 1990. Contudo, problemas de apoio financeiro, além de outras questões, que podem ser consideradas políticas, levaram as pesquisas ao atraso. Dessa forma, desde o começo de 2005, a ibogaína não se encontra disponível para tratamento da dependência química praticamente no mundo inteiro.
Pesquisas da ibogaína na Universidade de Brasília
A Universidade de Brasília foi uma instituição que estudou a ibogaína em cobaias. Os estudos utilizando a ibogaína na abstinência constataram uma redução significativa de sintomas de abstinência em camundongos, ratos e primatas.
O remédio para parar de usar drogas mostrou-se eficiente na redução da autoadministração de substâncias como cocaína, morfina, metanfetaminas, nicotina e álcool, reduzindo o afluxo de dopamina no nucleus accumbens cerebral depois da administração de morfina ou cocaína.
Desde sua descoberta, um grande número de pessoas vem fazendo uso da ibogaína para tratamento de dependência química, seja em clínicas privadas de reabilitação, ou mesmo em grupos de autoajuda, além de provedores leigos e cerimônias religiosas.
Assim, essa rede, denominada de “experimento não controlado”, trouxe resultados de mais de 3 mil casos documentados até o ano de 2006. A maior parte dos resultados foi proveniente de clínicas de tratamento de dependência química.
Contudo, depois disso e até os anos atuais, não existem ensaios clínicos controlados do uso do remédio para parar de usar drogas no tratamento em humanos. Os dados clínicos disponíveis apenas foram coletados e reunidos pela Universidade de Brasília, compondo uma tabela que apresentamos a seguir:
Essa tabela pode ser consultada no site na Universidade de Brasília, no endereço http://unb2.unb.br/noticias/downloads/POSTERIBOGAINA-2.pdf.
Propriedades farmacológicas da ibogaína
Os estudos mostraram que a ibogaína interage com diversos sistemas neurotransmissores, que parecem ser relacionados à adição, como, entre outros, os sistemas NMDA, nicotínico, mu e kappaopioides, e seritoninérgicos.
A eficácia do remédio para parar de usar drogas, no entanto, não foi ainda inteiramente explicada com base em interações com algum sistema neurotransmissor específico, ou mesmo com base em outros tratamentos já aplicados, como entre outros, a terapia de substituição ou medicamentos que promovem a inibição da receptação de monoaminas.
O efeito prolongado sugere a existência de um metabólito ativo de longa duração. Assim, uma pessoa tratada com ibogaína normalmente experimenta de forma subjetiva fases diferentes, que foram classificadas como aguda, avaliativa e de estimulação residual.
No início do tratamento, o paciente passa por um estado semelhante ao sonho, embora a pessoa esteja completamente acordada, vendo tudo com os olhos fechados. Em seguida, o paciente entra numa fase classificada como neutra e reflexiva, quando a atenção do paciente é direcionada para a avaliação das experiências da primeira fase.
Finalmente, quando estão para terminar os efeitos da ibogaína, o paciente entra numa fase de estimulação residual, quando ele passa a novamente fazer parte do mundo normal, voltando sua atenção para o mundo externo.
A experiência psicoativa produzida pela ibogaína é reduzida e, é bastante comum nessa fase que o paciente não tenha necessidade de dormir, ou demonstre redução no sono, podendo essa condição durar diversos dias ou semanas depois do tratamento.
Depois disso, o que se observa na maior parte dos pacientes que usaram o remédio para parar de usar drogas, é a redução dos sinais e sintomas de dependência, de fissura ou de sintomas depressivos.
A eliminação da síndrome de abstinência permanece por um tempo aproximado de uma semana, sendo totalmente curados, enquanto que a fissura e os sintomas de depressão em razão da falta de drogas podem durar pelo menos um mês.
Como é feito o uso da ibogaína entre os africanos
A ibogaína, quando usada para efeitos estimulantes, sem serem psicodélicos, é usada em média de duas a três colheres de chá para mulheres, e de três a cinco colheres para homens.
No uso tradicional, o caule da iboga é raspado e secado, transformando-se um pó castanho-amarelado, que pode ser misturado com água para ser ingerido. Contudo, os nativos africanos afirmam que a raiz é mais forte quando fresca.
Atualmente, alguns grupos utilizam a ibogaína com maconha, numa mistura chamada yama ou nkto-alok que, no entanto, não pode ser considerada um remédio para parar de usar drogas.
A ibogaína deve ser aplicada por pessoas especializadas, com experiência nesse tipo de tratamento, uma vez que, em níveis maiores, a substância pode causar convulsões, paralisia e morte por parada respiratória.
Para dependentes que pensam em usar a ibogaína para desenvolvimento pessoal, é importante entender que o uso da substância pode ser atraente apenas porque oferece um tratamento que pode evitar o processo terapêutico mais demorado.
Contudo, existe o risco de piorar os sintomas, principalmente quando a pessoa possui muitas sensações reprimidas, uma situação que é mais comum entre as pessoas de cultura ocidental.
O uso de ibogaína, nesses casos, sem acompanhamento, pode oferecer reações perigosas, principalmente como mecanismo de defesa contra emoções e sentimentos dolorosos, o que leva a resultados de neurose, que podem persistir depois dos efeitos da ibogaína terminarem.
Além disso, é importante entender que o uso de ibogaína provavelmente será insuficiente para provocar a transformação no dependente químico sem um tratamento mais adequado. A substância oferece às pessoas uma percepção mental de sua situação, embora sem ligação emocional de maior significância.
Em alguns casos, sem acompanhamento médico, já foram constatados casos fatais com o uso da ibogaína. Uma das explicações mais aceitas é que a ibogaína potencializa um prolongamento pré-existente no intervalo QT, levando o paciente a uma arritmia ventricular.
Durante o tratamento, é preciso que haja uma monitoração cuidadosa do sistema cardiovascular, sendo uma medida de segurança para o paciente.
Os estudos comprovam que a ibogaína é um excelente remédio para parar de usar drogas, mas é necessário que o dependente esteja em um ambiente adequado, sendo acompanhado por especialistas, que poderão atende-lo no caso de qualquer emergência.
A ibogaína vem se mostrando eficaz para o tratamento de dependentes químicos, oferecendo desintoxicação, estabilização e manutenção da abstinência de curto prazo, sendo utilizada para preparar um paciente para começar o tratamento de longo prazo.
Como remédio para parar de usar drogas estimulantes, a ibogaína oferece o benefício de fazer com que o dependente mantenha sua resolução de parar com o uso de substâncias psicoativas, mantendo seu autocontrole sobre o próprio comportamento. Observa-se ainda que os pacientes tratados se mantêm motivados para o tratamento de longo prazo, reforçando a motivação para mudança de estilo de vida.









































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